"The Dinner Party" (traduzido como "O Banquete" ou "O Jantar") é uma das mais célebres obras de arte feminista da artista americana Judy Chicago, sendo frequentemente considerada um marco no movimento de arte feminista do século XX. Esta instalação, integrada num projeto maior que inclui um livro e um documentário, já percorreu seis países em três continentes, atraindo mais de um milhão de visitantes e gerando debates sobre a representação feminina na história e na arte.

A peça central da instalação é uma enorme mesa de jantar triangular, com 14 metros de comprimento, composta por 39 lugares dispostos em três lados, com 13 em cada um. A forma triangular foi escolhida para representar a igualdade e interconexão, e cada lugar é dedicado a uma mulher histórica ou mitológica de grande importância. Desde deusas antigas, que simbolizam a fertilidade e o poder feminino, até figuras históricas como Hatshepsut, a poderosa faraó do Egito; Safo, a poetisa grega; e Isabel I de Inglaterra, estas mulheres são homenageadas num banquete simbólico, sublinhando as suas conquistas e a invisibilidade a que foram sujeitas pela história tradicional.

Cada lugar tem uma toalha bordada com o nome da mulher em dourado e um prato de porcelana pintado à mão, onde se destacam formas estilizadas que remetem para vulvas ou borboletas, simbolizando tanto a sexualidade feminina como a transformação e o renascimento. Os talheres e cálices dourados complementam o cenário luxuoso. A decoração de cada prato e toalha é personalizada, refletindo a época, a cultura e as contribuições da mulher retratada. O efeito é o de um banquete à espera, onde essas figuras históricas finalmente podem ocupar o seu lugar de direito numa mesa de poder e celebração.

Antes de entrar no espaço central do banquete, os visitantes atravessam as "Entryway Banners", tapeçarias que apresentam símbolos feministas e frases que apelam à igualdade e à justiça. Estas bandeiras introduzem a ideia de que o espaço que se vai explorar é dedicado a uma reescrita da história, uma onde as mulheres não são apenas espectadoras, mas protagonistas.

No chão que sustenta a mesa encontra-se o "Heritage Floor", onde estão inscritos os nomes de 999 outras mulheres, que, embora não estejam representadas diretamente à mesa, tiveram um impacto significativo na história e na cultura, mas que foram, muitas vezes, esquecidas ou ignoradas. Entre elas, podemos encontrar figuras como a matemática Hipátia de Alexandria, a filósofa Simone de Beauvoir, e muitas outras pioneiras nas ciências, nas artes e na política. Perto da instalação, estão também os "Heritage Panels", que fornecem informações adicionais sobre estas mulheres, ajudando a dar-lhes o reconhecimento que merecem.

Os "Acknowledgment Panels" agradecem ainda o trabalho coletivo de mais de 400 pessoas, muitas das quais mulheres, que ajudaram Judy Chicago a dar vida a esta obra monumental. Este aspeto colaborativo da obra sublinha a importância de reconhecer o contributo de todas as mulheres, tanto as notáveis como as comuns, na construção da história e da cultura.

Para além do impacto visual e emocional, "The Dinner Party" provocou um debate profundo sobre o papel das mulheres na história, questionando a falta de representatividade e visibilidade. É uma obra que continua a ser estudada, não só no contexto da arte feminista, mas também no âmbito da história social e cultural, uma vez que o seu objetivo principal é reverter a exclusão histórica das mulheres, dando-lhes, literalmente, um lugar à mesa da civilização.

"The Dinner Party"

obra de Judy Chicago, (1974-79)

obra de Judy Chicago, (1974-79)

Prato de Hatshepsut

Vídeo gravado andando à volta da mesa

"Entryway Banners"

"Heritage Panels""